sábado, 28 de maio de 2011

Éticas Deontológicas e Teleológicas.

A Ética Deontológica valoriza a intenção da ação, independentemente das consequências.
Uma ação é boa se a intenção (razão ou motivo) for bom e se ela for universal (será universal se o que decidirmos for bom para nós próprios e para todas as outras pessoas).
Kant defende que devemos agir em relação às pessoas como um fim e nunca como um meio, que nunca devemos usá-las em nosso benefício.
Ela é uma ética formal pois não mostra normas concretas de conduta, mas nos indica como devemos agir com os outros.

A Ética Teleológica é consequencialista, para ela uma boa ação é medida pelas suas consequências, sendo o fim do homem a felicidade.
O mais importante não é saber se a intenção é boa mas sim se teve boas consequências.
Ela é uma ética concreta pois te diz como se deve atingir a felicidade.

Segundo Aristóteles todo homem busca a virtude e a felicidade e estas só podem ser alcançadas através do equilíbrio, pois o excesso e a falta são considerados vícios que conduzem a um fim contrário à natureza humana.

Retirado do livro:
- Ética a nicômaco. Aristóteles.
Martin Claret, 1ª edição.
ISBN: 8572324305
- Kant. Tradução: Cassiano Terra Rodrigues.
Idéias & Letras, 1ª edição.
ISBN: 9788576980308


RH.

sábado, 14 de maio de 2011

Metáfora para a evolução da filosofia



Uma metáfora para a evolução da filosofia é a evolução biológica da vida do homem. Nesse caso, um período de vida que já passamos. Quando nascemos somos iguais ao período antes do surgimento da filosofia. Vivemos sob o temor de tudo e somente nos reconfortamos nos braços de nossos pais. O recém-nascido tem medo de tudo, tem necessidade dos pais e não sabe viver sem eles. Assim foi o desenvolvimento do conhecimento humano. Durante muito tempo, somente a explicação de que os deuses queriam algo e estavam fazendo algo para castigar os profanadores e os seus inimigos declarados dominou toda a vida dos homens. Tudo era feito, ditado e escolhido pelos deuses. Contudo, ninguém permanece um bebê para sempre; todos passam por evoluções que garantem a chegada da infância. Isso também aconteceu com nosso pensamento e nossa ciência.

Depois das primeiras teorias acerca da natureza em geral (os filósofos naturalistas e pré-socráticos), a atenção dos filósofos voltou-se para o próprio homem. Nesse caso, era necessário buscar os significados do homem, reorientá-lo e redefiní-lo. Se isso precisava ser feito, também era necessário que se mudassem as relações que o homem tinha com o mundo. Se o homem muda, suas relações com o mundo também mudam.

Essa parte da história, até chegar à Idade Média, pode ser caracterizada como a segunda evolução do homem, a sua infância. Durante esse período, o homem passa por várias etapas. Começa a dar novos significados para o mundo, começa a formar sua personalidade, a se diferenciar das outras pessoas, do mundo e de tudo o que o circula. Durante a infância, a personalidade humana começa a ser modelada, formada e reorientada. Mas a infância não é um único movimento, ela é composta por várias etapas, vários momentos diferentes que, no final, formam o que chamamos de infância – período de que temos muita saudade quando nos tornamos adultos. Para a filosofia isso também ocorreu. Não existiu um momento único que possamos mostrar e falar: “foi isso”. O saber foi evoluindo e, com ele, as necessidades do homem. Cada vez mais se descobria algo sobre o homem, e suas necessidades ficavam cada vez mais claras. Mas o homem não é somente infância: ele continua evoluindo.

Em seguida, a história do pensamento humano passou para o período de união entre o cristianismo e o pensamento grego clássico, a Idade Média. Nela, o homem se descobriu como um filho de Deus. Por este tempo, houve a tentativa de redirecionar tudo, pois era necessário repensar e descobrir as relações entre Deus, o homem e o mundo em que o homem vive. Isso foi mais uma “evolução” no saber da humanidade.

Mantendo e comparação entre esses movimentos e a evolução do homem, esse momento pode ser a chamada “pré-adolescência”. Tudo é redefinido, reorientado e reestruturado. O pré-adolescente procura seu espaço no mundo e quer ser independente. Contudo, ele ainda está e se sente preso aos pais, ao mundo em que vive e, por mais que queira, não consegue e não tem condições de definir sozinho sua vida; ele precisa de alguém para ajudá-lo. Se em nossas vidas esse é o papel dos pais, na Idade Média esse era o papel de Deus. Contudo, a vida não pára aí; ela “evolui”.

O período seguinte foi o das contradições e negação de tudo que foi feito durante a Idade Média. Esse período produziu uma imensa mudança na forma de o homem se ver, se entender e se relacionar com o mundo. Tudo precisava mudar e evoluir. Tudo tinha que ser diferente. Nesse sentido, tivemos uma enorme evolução das ciências, principalmente as que mantinham estreita relação com a matemática. Parece que o mundo foi se tornando, cada vez mais, um lugar de morada dos significados e desejos do homem. Esse período pode ser comparado ao da adolescência.

A adolescência é um período muito interessante em nossa vida. Para mostrar que não é mais criança, o adolescente nega tudo que fazia na infância. Ele se vê como adulto, como detentor de suas decisões, como alguém capaz de definir tudo na sua vida, como: namorar, o primeiro beijo, a primeira relação sexual etc. Tudo tem que ser, necessariamente, diferente da infância, para mostrar – tanto aos pais como ao mundo – que ele é diferente. Na filosofia isso também ocorreu. Somente para que você se lembre, esse modelo se parece muito com as críticas de Descartes ao método escolástico. Ele foi educado pelo método escolástico, mas declarou a sua ineficiência em prover para as ciências o meio adequado para a sua evolução. Contudo, continuamos “evoluindo”.
Esse novo período foi o que começou com as idéias vindas do Iluminismo. Assim foram feitas as maiores evoluções na área da ciência. Grandes progressos foram montados e, pela primeira vez, o homem tinha a sensação de ter dominado o mundo e estar muito perto de decifrá-lo completamente. Nesse período, vimos autores como Kant, Hegel, Augusto Comte etc. É a juventude chegando.

Na nossa juventude, o principal sentimento que temos é o de que podemos dominar o mundo. Começamos a sair, enfrentamos nossos pais, começamos a “beber”, a “fumar”, a “ficar”, a ir para as “baladas”. Achamos que o mundo nos pertence e que podemos controlá-lo, totalmente. É algo análogo ao que aconteceu com a filosofia diante do grande avanço das ciências. Agora tudo poderia fazer sentido. Agora “o mundo me pertence e sou o senhor absoluto de minha vida”. Porém a vida não pára por aí; continuamos a crescer e a amadurecer, tanto na vida quanto na filosofia.

O período seguinte é o período de maturidade, em que gradativamente saímos da juventude e entramos na fase adulta, ou seja, na filosofia. Saímos do Iluminismo e entramos em outras necessidades e em outras características do mundo. Se em nossa vida sempre acontece algo que serve como um “divisor de águas”, aqui também tivemos isso. O divisor de águas foram as duas guerras mundiais. Elas criaram a necessidade de mudança, de perspectiva. Essa foi aquela crise que várias pessoas dizem passar quando entram na faixa dos trinta anos. Esse é o momento que estamos vivendo.

Agora estamos vivendo uma crise, uma crise de sentido. Essa crise aconteceu devido à inversão dos modelos de saber que orientavam a vida do homem; uma reorientação que obteve grande impacto na forma como o homem cria e se relaciona com os valores, com os princípios, com as normas, com as tradições e com as leis; enfim, todo o meio ético e moral. Se tudo isso mudou temos de procurar o modelo que irá, nesse momento, nos atender e solucionar nossa crise.

Mas a crise não deixa de acontecer. Enquanto estamos procurando a solução, ela não pára, não dá tréguas, não descansa. Enquanto procuramos, ela continua a agir e a se movimentar. Se tudo que é relativo ao mundo da moral e da ética está em crise, as aplicações que antes derivávamos desses elementos também estão em crise. Nesse sentido, todas as instâncias da vida humana estão em crise, principalmente aquelas que exigem uma tomada de decisão rápida. Nesse caso, até as relações e as posturas que adotamos em nossas profissões estão em crise...

Esta é a chamada "Crise de sentido na Filosofia Comtemporânea".

Tecer comentários e construir paralelos que possam comparar de forma metafórica e analógica a vida do homem com a história da humanidade é sempre muito perigoso. Tanto a vida do homem como a história da filosofia e da humanidade não podem ser vistas como evolução, como uma linha. Contudo, essa forma de pensamento é feita com fins didáticos, e ajuda muito no entendimento da história da filosofia. Mas lembre-se de que isso é somente uma metáfora e não uma realidade.


Texto retirado da matéria "Filosofia e Ética" da faculdade
FEAD.