terça-feira, 22 de novembro de 2011

O encontro do eu


Sinto a brisa fresca da manhã,
abro os braços para permitir o abraço que o vento quer me dar.


O sol vem ao meu encontro,
a lua brinca de esconde-esconde 
e leva consigo a calma que a noite me traz.


Envolvida em pensamentos não percebo o tempo passar 
e o sol que antes dava-me energia agora está a me queimar.


As lágrimas descem no rosto de alguém que não conheço,
mas aí percebo que esse alguém sou eu.


Vejo o ciclo da vida e a lamentável sina que está a me esperar...




AUTORA: RADIGE HANNA.
OBS: Peço a qualquer pessoa que goste de minha mensagem e que queira mostrá-la a alguém o favor de NÃO PLAGIAR.



Tempo


Existe o tempo da promessa, 
o tempo da saudade, o da alegria e o da infelicidade.

Tempo: pequena palavra que cabe tantas coisas.

Um só tempo gera tantos momentos!
Aquele minuto de agonia para mim
pode ser o mesmo minuto que é o mais feliz de sua vida.
Existe algo mais relativo que isto?

O tic tac do relógio não consegue traduzir 
a infinita possibilidade de um segundo.


AUTORA: RADIGE HANNA.
OBS: Peço a qualquer pessoa que goste de minha mensagem e que queira mostrá-la a alguém o favor de NÃO PLAGIAR.




A cultura versus o desenvolvimento do país e seu povo.



Juca Ferreira.
Sociólogo e Ministro de Estado da Cultura.



O conhecimento que acumulamos, seja ele espiritual, seja ele material, está limitado por uma visão de mundo, ou pela possibilidade de sua superação.
Meio ambiente não se confunde com a natureza, ele nasce da relação do homem com ela. É resultado de um propósito civilizatório. Não existe sem uma cultura, sem valores e sem sistemas de representação.
Não é demais repetir: temos que ter em mente, a questão ambiental é, sobretudo, uma questão cultural, que envolve mudança de sensibilidade, comportamento e visão de mundo. Quase sempre parece que nos esquecemos disso.
Sem uma radical mudança de valores, não há salvação para a vida do homem no planeta.
Não basta aumentar o poder aquisitivo da população. A educação de qualidade e o acesso pleno à cultura são componentes básicos do nosso desenvolvimento. Para que a nossa economia da cultura avance, ela também depende da inclusão de milhares de brasileiros que dela carecem.
É importante ressaltar, no entanto, que é absolutamente coerente que um governo neoliberal tenha enfraquecido um Ministério responsável pelo estímulo à dimensão criativa e inovadora da sociedade brasileira. A dimensão simbólica não faz parte do horizonte dos que, tradicionalmente, pensam o país apenas através do ponto de vista da sua economia. Além do mais, é por meio do desenvolvimento cultural que a sociedade capacita-se a produzir idéias e processos contra-
hegemônicos. Por isso, a dimensão simbólica foi sistematicamente esvaziada enquanto dimensão relevante para a agenda do crescimento e do desenvolvimento humano, e a condução da política cultural foi transferida para o controle anômico das agências de marketing das grandes empresas.
 A percepção de que a mola propulsora do desenvolvimento é a cultura – entendida aí como conjunto de atitudes e de mentalidades – é uma percepção que vem se cristalizando lentamente entre nós. Essa percepção precisa ser ainda mais alastrada e consolidada.
Arte é a cultura de todos recriada por um indivíduo, por isso cada obra de arte é única, insubstituível. A arte consegue essa façanha aparentemente impossível: unir o máximo de individualidade e o máximo de expressão coletiva.

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Luis Inácio Lula da Silva.


“Posso dizer a vocês, com absoluta tranqüilidade, que é outra – e que é nova – a visão que o Estado brasileiro tem, hoje, da cultura. Para nós, a cultura está investida de um papel estratégico, no sentido da construção de um país socialmente mais justo e de nossa afirmação soberana no mundo. Porque não a vemos como algo meramente decorativo, ornamental. Mas como a base da construção e da preservação de nossa identidade, como espaço para a conquista plena da cidadania, e como instrumento para a superação da exclusão social – tanto pelo fortalecimento da auto-estima de nosso povo, quanto pela sua capacidade de gerar empregos e de atrair divisas para o país. Ou seja, encaramos a cultura em todas as suas dimensões, da simbólica à econômica.”






RH.



quinta-feira, 1 de setembro de 2011

A engrenagem


A engrenagem da vida está a rodar,
vira, sobe, mexe, desce... está sempre a movimentar.

A alternativa de hoje é o futuro beco perpendicular,
o passado encontra-se com o presente formando o futuro.
Mas que futuro?

Uma peça mal ajustada pode fazer tudo desmoronar.
Vivemos sobre o princípio da incerteza.

Todas as pequenas alegrias não passam de poeira 
em cima do metal frio da tristeza que percorre a existência.

A felicidade é o óleo motor que lubrifica as peças,
evitando assim o completo pane.

Vira, sobe, mexe, desce... continua a funcionar.


AUTORA: RADIGE HANNA.
OBS: Peço a qualquer pessoa que goste de minha mensagem e que queira mostrá-la a alguém o favor de NÃO PLAGIAR.


Louvor à mentira


Oh doce mentira que me encanta
quem dera-me 
continuar a ser embalada em seus braços.


Que continuem ternas e afáveis as palavras,
mesmo que careçam de significado.


Guia-me nos tormentos do dia-a-dia
para que usando-a 
possamos todos permanecer na paz da ilusão.


Mesmo que verdades precisem ser ditas
permaneça em meu encalço 
e livra-me de possíveis contradições 
mostrando o valor de seu uso.


Oh amado engano,
que permaneça o erro 
se este for necessário à manutenção de minhas vontades.




AUTORA: RADIGE HANNA.
OBS: Peço a qualquer pessoa que goste de minha mensagem e que queira mostrá-la a alguém o favor de NÃO PLAGIAR.

OBS: A intenção com este texto é ser irônica e provocar a reflexão nos leitores.


quarta-feira, 24 de agosto de 2011

O poeta que não virou um revolucionário


ERA UM POETA,
AMAVA AS PALAVRAS E PARA ELAS JUROU
NUNCA TRAIR O SENTIDO QUE DESEJAVA LHES DAR.


INICIALMENTE NÃO HAVIA PROBLEMA
POIS SEU CONSTANTE DESEJO ERA FALAR DE FLORES
E AS BELAS MULHERES QUE MERECIAM RECEBÊ-LAS.


ACONTECE QUE UM DIA QUALQUER
COMO QUEM NÃO QUER NADA
A VERDADE DA REALIDADE CRUZOU SEU CAMINHO!
NUNCA MAIS FOI O MESMO.


NÃO TRAIU SEU JURAMENTO 
E SACRAMENTANDO AS PALAVRAS QUE LHE VINHAM À MENTE NO PAPEL,
SOFREU AS CONSEQUÊNCIAS DE SER FIEL.


QUIS VIAJAR PELO MUNDO 
PARA TER CERTEZA DO TAMANHO DA MALDADE CONTIDA NELE.
- NO MUNDO NÃO NO POETA - 


CONHECEU A ANGÚSTIA DE SE DESCOBRIR IMPOTENTE,
MAS APESAR DE POETA ENCONTROU A SOLUÇÃO:
ENGOLIU AS PALAVRAS 
E ACABOU MATANDO A BONDADE EXISTENTE EM SEU CORAÇÃO.






AUTORA: RADIGE HANNA.
OBS: Peço a qualquer pessoa que goste de minha mensagem e que queira mostrá-la a alguém o favor de NÃO PLAGIAR.


quarta-feira, 27 de julho de 2011

Conquistar a própria origem


"O espírito em nós não pode se vangloriar de sua autonomia sem conquistá-la. A recusa que ele opõe a toda intrusão, a toda coação, a toda lavagem cerebral supõe que ele consiga emergir do mundo das coisas de que se pode dispor sem declarar, que ele não possa, portanto, ser manipulado como elas, porque ele tem de ser a origem das opções sobre as quais se detém. [...] Inúmeros contemporâneos nossos admitem e reivindicam (em princípio) a inviolabilidade da pessoa, sem ver que ela tem como fundamento uma dignidade que tem de conquistar, e que, se for preciso garantir a cada um o poder de ser a origem de uma vida propriamente pessoal, isso implica, de sua parte, que ele consinta em uma transformação radical de si mesmo, que ele construa esse espaço interior que justifique o respeito, que ele se torne, em sua mais secreta intimidade, um bem universal que o mundo inteiro possa reconhecer como seu. [...] Enfim, é exatamente essa criação secreta, pela qual cada um é capaz de se tornar um ser humano, que os 'direitos humanos' querem proteger. Pois é na medida em que cada um se torna um ser humano que se constitui a humanidade."


Maurice Zundel, Quel homme et quel Dieu?,
Saint-Augustin, 2002, p. 180-181.

Retirado do livro "A força da convicção - Jean-Claude Guillebaud."


A meu entendimento, o autor quis dizer neste texto que para o conjunto de Homo sapiens ser considerado uma 'humanidade', no termo que se emprega habitualmente, é necessário um esforço de cada indivíduo para transformar a própria natureza em algo melhor e que interaja com os outros gerando um convívio positivo e para que isto aconteça é preciso nos empenharmos

- e em uma expressão mais adequada, "fazer por merecer" - alcançando assim uma classificação não como 'raça humana'

(que vem de uma origem animal) e sim como 'seres humanos' (conceito que transmite uma ideia de estes seres maravilhosos exercerem a bondade, o respeito e cooperação uns com os outros).

E um segundo conceito um tanto quanto diferente do de cima mas que parece ser o principal do texto é que se faz vital no nosso convívio com a sociedade ter uma espécie de filtro (ou como diz popularmente, uma peneira) em nossos instintos para que não sejamos manipulados e que assim seja preservada nossa dignidade e autonomia.

Mas gostei mais da minha primeira conclusão.


RH.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Escapar da miséria psíquica.


Estou terminando de ler um livro que de início não gostei, mas à medida que fui lendo e entendendo-o melhor passei a gostar mais e mais.
Ele me fez pensar até que ponto a crença não está enraizada em cada um de nós e não só de forma religiosa como também nas ciências, na tecnologia e até na economia.
O legal, e que eu sempre faço, é grifar os trechos que foram, para mim, os melhores e mais interessantes e depois divulgá-los por aí.


Este texto aqui em baixo é bem esclarecedor para aquelas pessoas que ainda não perceberam que uma mudança se faz necessária e que para havê-la é necessário uma força motora que engatará a primeira marcha!

"O que se requer é uma nova criação imaginária, de uma importância sem precedentes no passado, uma criação que ponha no centro da vida humana outras significações, e não apenas a expansão da produção e do consumo, que proponha objetivos de vida diferentes, e que possam ser reconhecidos pelos seres humanos como valendo a pena. [...] É essa enorme dificuldade que temos de enfrentar. Deveríamos querer uma sociedade na qual os valores econômicos deixassem de ser centrais, ou únicos, em que a economia fosse recolocada em seu lugar, como simples meio de vida humana e não como seu fim último, uma sociedade na qual se renunciasse a essa corrida alucinada em direção a um consumo cada vez maior. Isso é necessário não só para evitar a destruição definitiva do meio ambiente terrestre, mas também, e sobretudo, para escapar da miséria psíquica e moral dos homens e mulheres contemporâneos."


Cornelius Castoriadis, La Montée de l'insignifiance, 
Seuil, 1996, p. 96.
Edição brasileira: A ascensão da insignificância. 
São Paulo: Paz e Terra, 2002.


Livro ao qual fiz referência: 
A força da convicção - Jean-Claude Guillebaud.


RH.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Ludwig Feuerbach e a essência do Cristianismo.

A religião tornou-se um tabu nas organizações. Não a discutimos por respeito sagrado às pessoas e por respeito ao sagrado. Porém, por medo de discuti-la, aceitamos muitas excessos e irracionalidades. O filósofo alemão, Ludwig Feuerbach, já em 1841, ousou por um pouco de racionalidade na discussão sobre a religião e deu muito o que falar, até hoje.

A RELIGIÃO SOB UM OUTRO OLHAR:

Comentário sobre o livro "A Essência do Cristianismo” de Ludwig Feuerbach.
“O solene desvelar dos tesouros ocultos do homem, a revelação de seus pensamentos íntimos, , a confissão pública de seus segredos de amor.”
“Como forem os pensamentos e a disposições do homem, assim será o seu Deus; quanto valor tiver um homem, exatamente isto e não mais, será o valor de seu Deus. Consciência de Deus é autoconsciência, conhecimento de Deus é autoconhecimento”.
“Deus é a mais alta subjetividade do homem, abstraída de si mesmo.”
“Este é o mistério da religião: o homem projeta o seu ser na objetividade e então se transforma a si mesmo num objeto face a esta imagem de si mesmo, assim convertida em sujeito.”
(Trechos de “A Essência do Cristianismo” de L. Feuerbach)

1. Introdução
Este artigo tenta expor as principais idéias do filósofo alemão Ludwig Feuerbach a respeito da religião. A religião, especialmente o cristianismo, foi o centro da atividade intelectual e da “perdição” do ousado filósofo que rompeu com o pensamento de seu mestre Hegel e transformou a religião num fenômeno antropológico, expressão da natureza humana.
Considera a religião a essência imediata do ser humano, acreditando assim poder explicitar os "tesouros escondidos no homem". Reduz atributos divinos da teologia a atributos humanos da antropologia. Sua filosofia procura transformar a teologia de Hegel em uma antropologia baseada no mesmo princípio, a unidade do limite e do infinito. Compondo a esquerda hegeliana, Feuerbach defende a idéia de que para Hegel a religião não é razão, e sim representação, sendo então redutível ao mito. Esta facção, em um primeiro momento, faz uso das idéias hegelianas dirigindo-as contra a teologia e a filosofia tradicional. Em uma segunda etapa, acaba por criticar as abstrações hegelianas em defesa do homem concreto, e a fé cristã em defesa de uma metafísica imanentista. Distancia-se de Hegel, entre outras coisas, ao eleger o homem concreto como sua prioridade e não a idéia de humanidade.

2. A Essência do Cristianismo
Em sua obra-prima, “A Essência do Cristianismo” , Feuerbach aborda o fenômeno religioso a partir do próprio homem.
“O homem se distingue do animal pela consciência.” Em outra passagem afirma: “Consciência é a característica de um ser perfeito”. O homem tem consciência de si através do objeto. Ou seja, o outro: o eu e o tu, na visão positivista.
A trindade humana - amor, razão e vontade - é a essência do próprio homem, é o homem completo:
- a força do pensamento é a luz do conhecimento, a razão;
- a força da vontade é a energia do caráter;
- a força do coração é o amor.
Querer, sentir e pensar são perfeições, essências, realidades... são infinitos, ilimitados. É ser consciente de si mesmo. É impossível, afirma Feuerbach nos remetendo à Descartes quando fala que Deus só pode ser um ser perfeitíssimo, ser consciente de uma perfeição como imperfeição; impossível sentir o sentimento como limitado, impossível pensar o pensamento como limitado.
Assim, o Ser Absoluto, o Deus do homem, é a sua própria essência. Feuerbach, já no início de sua obra, antropologiza a Trindade cristã em amor, razão e vontade, e que nada mais é do que a nossa própria essência. E a consciência disso é o que nos distingue dos animais. Amor, razão e vontade, essências do ser humano, são realidades ilimitadas, infinitas assim como Deus o é.
A antropologização segue seu curso em Feuerbach. O querer (a vontade) torna o homem infinito. O mesmo acontece com o sentir e o pensar que tornam o homem infinito e ilimitado, que são nossas construções de Deus. A consciência disso é autoconfirmação, auto-afirmação, que somos seres ilimitados e que projetamos tudo isso em Deus. Nossa educação cristã não permite que tomemos para nós adjetivos de tamanha grandeza. Não nos permite que possamos “conhecer mais que Deus” ou “se igualar a Deus”. Feuerbach, tornou-se maldito por ter ousado dizer que o temos de melhor, de mais sublime, enfim nossa essência, dizemos que é Deus. Ou seja, projetamos nossa essência em Deus e nos esquecemos que isto somos nós mesmos, nos anulando. Por outro lado, ele também afirma que isto é positivo, pois faz nos lembrar e ter consciência do melhor de nós mesmos.
Feuerbach continua na linha cartesiana: “o divino só pode ser conhecido pelo divino”. Isto quer dizer: se não tivéssemos o divino em nós, não poderíamos falar, exprimir ou experimentar o divino. E o divino não é razão, é sentimento: “a essência divina que o sentimento percebe é em verdade apenas a essência do sentimento arrebatada e encantada consigo mesma – o sentimento embriagado de amor e felicidade”. O autor constata que fez-se do sentimento a parte principal da religião, bem como a essência objetiva dela. “O sentimento é transformado num órgão do infinito, da essência subjetiva da religião, o objeto da mesma perde seu valor objetivo”. E no objeto religioso a consciência coincide com a consciência de si mesmo, o seu íntimo. Já num objeto sensorial, a consciência está fora, e no religioso, o objeto está dentro do próprio homem, sendo sua essência. Assim, amparado em Agostinho que diz que “Deus é mais próximo, mais íntimo e por isso, mais facilmente reconhecível que as coisas sensoriais e corporais”, Feuerbach resume sua visão antropológica da religião:
“A consciência de Deus é a consciência que o homem tem de si mesmo; o conhecimento de Deus é o conhecimento que o homem tem de si mesmo. Pelo Deus conheces o homem e vice-versa pelo homem conheces o seu Deus; ambos são a mesma coisa. [...] A religião é uma revelação solene das preciosidades ocultas do homem, a confissão dos seus mais íntimos pensamentos...”
Nesse sentido, a religião tornou-se, para Feuerbach, uma idolatria, pois o homem adora a sua própria essência: “os predicados divinos são qualidades da essência humana” e “na religião, o homem ao relacionar-se com Deus, relaciona-se com a sua própria essência”.
Feuerbach percebe a necessidade existente no homem da religião – “o sentimento religioso é o mais alto sentimento de conveniência” - uma vez que ela lhe serve como alívio frente às angústias, à dor e ao sofrimento da existência, que a natureza somente provoca e não alivia. O homem é dependente da natureza para existir. A natureza é sentida como necessidade, e é ai que surge a religião, opondo-se entre o querer e o poder, pensamento e o ser. Diante da natureza, o homem sente-se limitado, finito, já a religião teria a possibilidade da onipotência e da infinitude de Deus para oferecer ao homem. Os desejos do homem estariam assim representados enquanto possibilidade na figura de Deus, que é a representação imaginária da realização de todos os desejos humanos, superando os limites que a natureza lhe impõe. Deus domina a natureza, pois para o homem, ele é quem a cria. Assim sendo, Feuerbach desloca a divindade de um Deus externo ao homem para o interior do próprio homem. Ele é o Deus dele mesmo, e diz: "O Ser Absoluto, o Deus do homem é o próprio ser do homem." Deus é então a consciência que o homem tem de sí mesmo, de seu ser. A exemplo disto, a perfeição divina nada mais é do que o desejo do homem de ser perfeito e a consciência que tem de si, enquanto um ser imperfeito. O amor, a crença, o desejo, etc., atribuídos a Deus, que segundo Feuerbach, deveriam voltar-se para o próprio homem e para seu igual. Acredita que o homem deveria acreditar nele mesmo. No entanto, este filósofo aponta um erro na religião, que é a ilusão que ela cria. Ao mesmo tempo que oferece um sentido de vida para o homem e uma forma de ele lidar com suas limitações, a religião acaba por distânciá-lo dele mesmo, exteriorizando a própria divindade.

3. Conclusão
Como vimos, para Feuerbach, o homem é quem cria Deus e não o contrário. Segundo o autor, a filosofia precisa dar conta deste homem como um todo, e não somente da razão que o compõe. Deve abraçar a religião, enquanto fato humano, considerando este homem em comunhão com outros homens, caminho este através do qual ele pode sentir-se livre e infinito. O autor acredita que somente a religião dá conta do homem em sua totalidade. Feuerbach sugere que a religião desempenha um importante papel na vida do homem concreto. Para ele, a consciência que o homem tem de Deus é a consciência que o homem tem de si. Acredita que para se conhecer um homem, basta conhecer seu Deus, já que na sua concepção, a religião, o Deus do homem, nada mais é do que a projeção da intimidade da essência do homem. Assim sendo, para Feuerbach o método da teologia é a antropologia, pois o homem deposita em seu Deus a sua essência.
Em sua radicalidade, torna-se patente em Feuerbach que a religião e mesmo o estado são institutos irracionais a serviço da racionalidade, pois revestem-se de um caráter racional para induzir “vulgo” à submissão.



ARTIGO RETIRADO NA ÍNTEGRA DO SITE:
AUTOR: JOSÉ RICARDO MARTINS.


Ludwig Feuerbach é um dos meus filósofos favoritos, pois em pleno século IX - ao qual o cristianismo ainda exercia grande influência em todos os seguimentos da vida pública e particular - ele ousou expor uma teoria revolucionária que questiona o lado místico e sobrenatural da religião, nos mostrando que Deus nada mais é que uma representação aperfeiçoada de nós seres humanos.


RH.



domingo, 10 de julho de 2011

Divagações


As palavras criam vida em meus pensamentos.
Cuidadosamente eu as meço, peso e verifico se o nível de sentimentos que transmitem é adequado à situação.
Até o momento existe um ideal. 

- uma vontade não realizável que preciso expressar -
Mas o ponto de referência para as idéias que me veem é instável,
sei que do mesmo modo que surgem elas se vão...

Palavras!
Não são nada mais que um dos meios de alcançar o que se quer.

Mas o que quero?
Sabe, para você não existe um "eu" e sim 
o que você se permite perceber do que eu me permito te mostrar.

A realidade é subjetiva, 
o que digo hoje já contradiz o que disse 
ou talvez contradiga o que direi... 
mas o que importa?

Eu sou um lampejo de pensamento,
e o que quero é uma luz de inteligência 
em meio as trevas da ignorância.


AUTORA: RADIGE HANNA.
OBS: Peço a qualquer pessoa que goste de minha mensagem e que queira mostrá-la a alguém o favor de NÃO PLAGIAR.



O limite de um todo


Eu vivo um mundo limitado,
onde os medos são maiores que os sonhos.


A realidade, por mais bizarra que seja, 
quase não é contestada...
e quando o é e as vozes da indignação começam a se erguer, 
logo são abafadas 
e os que ainda resistem tem seus nomes riscados do caderno daqueles que podem ver.


É um lugar estranho,
ao qual a única saída é não perceber que entrou.


Existe uma pseudo-liberdade, que para muitos é o suficiente, 
mas o problema é o que teve de ser abdicado 
para chegar a este ponto 
e o que faremos para chegar ao próximo.


Começo a perceber que para viver é preciso sofrer,
e a diferença entre os indivíduos está entre quem é esperto 
o suficiente para ser feliz apesar da desgraça de todo o resto,
e aqueles que não sabiam que havia uma escolha a ser feita. 



AUTORA: RADIGE HANNA.
OBS: Peço a qualquer pessoa que goste de minha mensagem e que queira mostrá-la a alguém o favor de NÃO PLAGIAR.



sábado, 28 de maio de 2011

Éticas Deontológicas e Teleológicas.

A Ética Deontológica valoriza a intenção da ação, independentemente das consequências.
Uma ação é boa se a intenção (razão ou motivo) for bom e se ela for universal (será universal se o que decidirmos for bom para nós próprios e para todas as outras pessoas).
Kant defende que devemos agir em relação às pessoas como um fim e nunca como um meio, que nunca devemos usá-las em nosso benefício.
Ela é uma ética formal pois não mostra normas concretas de conduta, mas nos indica como devemos agir com os outros.

A Ética Teleológica é consequencialista, para ela uma boa ação é medida pelas suas consequências, sendo o fim do homem a felicidade.
O mais importante não é saber se a intenção é boa mas sim se teve boas consequências.
Ela é uma ética concreta pois te diz como se deve atingir a felicidade.

Segundo Aristóteles todo homem busca a virtude e a felicidade e estas só podem ser alcançadas através do equilíbrio, pois o excesso e a falta são considerados vícios que conduzem a um fim contrário à natureza humana.

Retirado do livro:
- Ética a nicômaco. Aristóteles.
Martin Claret, 1ª edição.
ISBN: 8572324305
- Kant. Tradução: Cassiano Terra Rodrigues.
Idéias & Letras, 1ª edição.
ISBN: 9788576980308


RH.

sábado, 14 de maio de 2011

Metáfora para a evolução da filosofia



Uma metáfora para a evolução da filosofia é a evolução biológica da vida do homem. Nesse caso, um período de vida que já passamos. Quando nascemos somos iguais ao período antes do surgimento da filosofia. Vivemos sob o temor de tudo e somente nos reconfortamos nos braços de nossos pais. O recém-nascido tem medo de tudo, tem necessidade dos pais e não sabe viver sem eles. Assim foi o desenvolvimento do conhecimento humano. Durante muito tempo, somente a explicação de que os deuses queriam algo e estavam fazendo algo para castigar os profanadores e os seus inimigos declarados dominou toda a vida dos homens. Tudo era feito, ditado e escolhido pelos deuses. Contudo, ninguém permanece um bebê para sempre; todos passam por evoluções que garantem a chegada da infância. Isso também aconteceu com nosso pensamento e nossa ciência.

Depois das primeiras teorias acerca da natureza em geral (os filósofos naturalistas e pré-socráticos), a atenção dos filósofos voltou-se para o próprio homem. Nesse caso, era necessário buscar os significados do homem, reorientá-lo e redefiní-lo. Se isso precisava ser feito, também era necessário que se mudassem as relações que o homem tinha com o mundo. Se o homem muda, suas relações com o mundo também mudam.

Essa parte da história, até chegar à Idade Média, pode ser caracterizada como a segunda evolução do homem, a sua infância. Durante esse período, o homem passa por várias etapas. Começa a dar novos significados para o mundo, começa a formar sua personalidade, a se diferenciar das outras pessoas, do mundo e de tudo o que o circula. Durante a infância, a personalidade humana começa a ser modelada, formada e reorientada. Mas a infância não é um único movimento, ela é composta por várias etapas, vários momentos diferentes que, no final, formam o que chamamos de infância – período de que temos muita saudade quando nos tornamos adultos. Para a filosofia isso também ocorreu. Não existiu um momento único que possamos mostrar e falar: “foi isso”. O saber foi evoluindo e, com ele, as necessidades do homem. Cada vez mais se descobria algo sobre o homem, e suas necessidades ficavam cada vez mais claras. Mas o homem não é somente infância: ele continua evoluindo.

Em seguida, a história do pensamento humano passou para o período de união entre o cristianismo e o pensamento grego clássico, a Idade Média. Nela, o homem se descobriu como um filho de Deus. Por este tempo, houve a tentativa de redirecionar tudo, pois era necessário repensar e descobrir as relações entre Deus, o homem e o mundo em que o homem vive. Isso foi mais uma “evolução” no saber da humanidade.

Mantendo e comparação entre esses movimentos e a evolução do homem, esse momento pode ser a chamada “pré-adolescência”. Tudo é redefinido, reorientado e reestruturado. O pré-adolescente procura seu espaço no mundo e quer ser independente. Contudo, ele ainda está e se sente preso aos pais, ao mundo em que vive e, por mais que queira, não consegue e não tem condições de definir sozinho sua vida; ele precisa de alguém para ajudá-lo. Se em nossas vidas esse é o papel dos pais, na Idade Média esse era o papel de Deus. Contudo, a vida não pára aí; ela “evolui”.

O período seguinte foi o das contradições e negação de tudo que foi feito durante a Idade Média. Esse período produziu uma imensa mudança na forma de o homem se ver, se entender e se relacionar com o mundo. Tudo precisava mudar e evoluir. Tudo tinha que ser diferente. Nesse sentido, tivemos uma enorme evolução das ciências, principalmente as que mantinham estreita relação com a matemática. Parece que o mundo foi se tornando, cada vez mais, um lugar de morada dos significados e desejos do homem. Esse período pode ser comparado ao da adolescência.

A adolescência é um período muito interessante em nossa vida. Para mostrar que não é mais criança, o adolescente nega tudo que fazia na infância. Ele se vê como adulto, como detentor de suas decisões, como alguém capaz de definir tudo na sua vida, como: namorar, o primeiro beijo, a primeira relação sexual etc. Tudo tem que ser, necessariamente, diferente da infância, para mostrar – tanto aos pais como ao mundo – que ele é diferente. Na filosofia isso também ocorreu. Somente para que você se lembre, esse modelo se parece muito com as críticas de Descartes ao método escolástico. Ele foi educado pelo método escolástico, mas declarou a sua ineficiência em prover para as ciências o meio adequado para a sua evolução. Contudo, continuamos “evoluindo”.
Esse novo período foi o que começou com as idéias vindas do Iluminismo. Assim foram feitas as maiores evoluções na área da ciência. Grandes progressos foram montados e, pela primeira vez, o homem tinha a sensação de ter dominado o mundo e estar muito perto de decifrá-lo completamente. Nesse período, vimos autores como Kant, Hegel, Augusto Comte etc. É a juventude chegando.

Na nossa juventude, o principal sentimento que temos é o de que podemos dominar o mundo. Começamos a sair, enfrentamos nossos pais, começamos a “beber”, a “fumar”, a “ficar”, a ir para as “baladas”. Achamos que o mundo nos pertence e que podemos controlá-lo, totalmente. É algo análogo ao que aconteceu com a filosofia diante do grande avanço das ciências. Agora tudo poderia fazer sentido. Agora “o mundo me pertence e sou o senhor absoluto de minha vida”. Porém a vida não pára por aí; continuamos a crescer e a amadurecer, tanto na vida quanto na filosofia.

O período seguinte é o período de maturidade, em que gradativamente saímos da juventude e entramos na fase adulta, ou seja, na filosofia. Saímos do Iluminismo e entramos em outras necessidades e em outras características do mundo. Se em nossa vida sempre acontece algo que serve como um “divisor de águas”, aqui também tivemos isso. O divisor de águas foram as duas guerras mundiais. Elas criaram a necessidade de mudança, de perspectiva. Essa foi aquela crise que várias pessoas dizem passar quando entram na faixa dos trinta anos. Esse é o momento que estamos vivendo.

Agora estamos vivendo uma crise, uma crise de sentido. Essa crise aconteceu devido à inversão dos modelos de saber que orientavam a vida do homem; uma reorientação que obteve grande impacto na forma como o homem cria e se relaciona com os valores, com os princípios, com as normas, com as tradições e com as leis; enfim, todo o meio ético e moral. Se tudo isso mudou temos de procurar o modelo que irá, nesse momento, nos atender e solucionar nossa crise.

Mas a crise não deixa de acontecer. Enquanto estamos procurando a solução, ela não pára, não dá tréguas, não descansa. Enquanto procuramos, ela continua a agir e a se movimentar. Se tudo que é relativo ao mundo da moral e da ética está em crise, as aplicações que antes derivávamos desses elementos também estão em crise. Nesse sentido, todas as instâncias da vida humana estão em crise, principalmente aquelas que exigem uma tomada de decisão rápida. Nesse caso, até as relações e as posturas que adotamos em nossas profissões estão em crise...

Esta é a chamada "Crise de sentido na Filosofia Comtemporânea".

Tecer comentários e construir paralelos que possam comparar de forma metafórica e analógica a vida do homem com a história da humanidade é sempre muito perigoso. Tanto a vida do homem como a história da filosofia e da humanidade não podem ser vistas como evolução, como uma linha. Contudo, essa forma de pensamento é feita com fins didáticos, e ajuda muito no entendimento da história da filosofia. Mas lembre-se de que isso é somente uma metáfora e não uma realidade.


Texto retirado da matéria "Filosofia e Ética" da faculdade
FEAD.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

O amor e a vida


AMAR NÃO É SE ENVOLVER COM A PESSOA PERFEITA, 
AQUELA DE NOSSOS SONHOS.
NÃO EXISTEM PRÍNCIPES NEM DONZELAS INDEFESAS ESPERANDO POR NÓS.
ENCARE A OUTRA PESSOA DE FORMA SINCERA E REAL,
EXALTANDO SUA QUALIDADES MAS SABENDO TAMBÉM DE SEUS DEFEITOS.
O AMOR SÓ É LINDO QUANDO ENCONTRAMOS ALGUÉM QUE 
NOS TRANSFORME NO MELHOR QUE PODEMOS SER.


VIVER É UMA JORNADA
QUE ÀS VEZES É SIMPLES
OUTRAS COMPLICADA.

MAS O QUE FAZER
SE DELA 
NÃO HÁ COMO ESCONDER?

O MELHOR QUE SE PODE FAZER
É ENFRENTÁ-LA SEM MEDO
E DESVENDAR OS SEUS SEGREDOS.

NA PIOR DAS HIPÓTESES
ACONTECERÁ O INEVITÁVEL,
QUE É PERDER A VIDA
SEM ENTENDER SEU SIGNIFICADO.



Autora: Radige Hanna.
OBS: Peço a qualquer pessoa que goste de meu poema/mensagem e que queira mostrá-lo a alguém o favor de NÃO PLAGIAR.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Mentira necessária


Vivo todo dia uma realidade inventada... meticulosamente criada.

Um dia fui uma menina indefesa e carente,
outro fui guerreira e valente.

Ontem? Fui uma cantora de renome, 
até Roberto Carlos pediu meu telefone!

O que hoje sou é segredo... corro um sério risco de vida 
se te contar,
mas uma pouco posso revelar:
A C.I.A está a me espionar!!!

Sabe, tenho identidades secretas,
não sei se um dia tive um nome real.

Cresci em meio o deserto
e aprendi com o vento a arte de estar em todo lugar.

Tenho mais vidas que um gato!
Já tive de usar várias delas...

Mas sabe, te aconselho a não acreditar em tudo,
pois... bem... tenho que confessar:
Eu minto!
Imagino, construo e habito um mundo distinto.

É um vício incontrolável, mas extremamente necessário.
Faço do passado presente, e com este um mundo
- um pouco - 
diferente!


Autora: Radige Hanna.
OBS: Peço a qualquer pessoa que goste de meu poema/mensagem e que queira mostrá-lo a alguém o favor de NÃO PLAGIAR.


Quando a vida vida é plagiada


Me diz: qual seu filme, livro, comida, esporte preferido?
O que você mais gosta de fazer?
Com que idade deu seu 1º beijo, ou fez amor?
Calma... não precisa me responder!
Só quero que você pense de uma maneira diferente.
Pois uma coisa eu te garanto:
Existem muitas pessoas iguais a você.

- Bom, mais isso é só superficialmente...

Ah é? Então me responda:
Quais são suas ideologias? Em que você crê?
Quais são seus princípios? E seus vícios?
Faça estas mesmas perguntas a seus amigos e - Rá! - aí estará a prova de que somos não um em um milhão mas sim um dentro de um milhão.

É meu amigo... a sua essência foi plagiada!
Ou será que foi você que plagiou a essência alheia?!

- Mas plágio é crime...

- Quem será o primeiro (ou primeira) "filho da...#$*%@" que irei processar...

- Oh meu Deus!!! Será que serei processado?!

Você não corre esse risco...
Quero abrir seus olhos, e quem sabe assim possamos olhar juntos - mas de maneira diferente -
para um mesmo ponto e dizer:

- Não penso igual a você!



Autora: Radige Hanna.
OBS: Peço a qualquer pessoa que goste de minha mensagem e que queira mostrá-la a alguém o favor de NÃO PLAGIAR.

terça-feira, 22 de março de 2011

Poema do poeta poeticamente apaixonado.


Tu és magnanimamente magnífica em sua magnanimidade.

Não sei... talvez seja sua grandiosamente grande personalidade grandiosa que me engrandece,
ou sua sensualística sensualidade sensual que me enlouquece!

Só sei que quando te vejo visivelmente visível em minha frente perco minha notabilíssima notabilidade notável de raciocinar...

Ô! Daria-te o mundo para que sua sensualidade magnanimamente grandiosa me notasse!


Autora: Radige Hanna.
OBS: Peço a qualquer pessoa que goste de meu poema/mensagem e que queira mostrá-lo a alguém o favor de NÃO PLAGIAR.

Desejo


Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.

Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.

Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.

Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.

Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.
Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.

Desejo que você descubra ,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.

Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.
Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.

Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga “Isso é meu”,
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.
Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.
Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar “.


Autor: Victor Hugo